terça-feira, 10 de novembro de 2009

O que acontece?

Arte:Paolo

Na exaustão causada pelo sentimentalismo barato, vemos uma geração perdida em um espaço sem idéias ou ideais.
Há perda?
A alma ainda trêmula ecoa a febre do sangue, a alma que ama e canta porque em sua vida o espanto ainda manifesta-se através do viver que a nossa realidade impõe, mas que encerra em si muita verdade e muita natureza, e que sem ser obsceno pode ser erótico sem ser monótono.
Digam e creiam o que quiserem.
Todo o vaporoso da visão abstrata não
interessa tanto como a realidade formosa da bela mulher a quem amamos.
Através do amor ganhemos força, moribundos...
O poema então começa pelos últimos crepúsculos do misticismo, brilhando sobre a
vida como a tarde sobre a terra. A poesia puríssima banha com seu reflexo da ideal beleza
sensível e nua.
Nos despindo de conceitos pré-estabelecidos, criemos!






...
A poesia é de cerco uma loucura,
Sêneca o disse, um homem de renome.
É um defeito no cérebro.. Que doudos!
É um grande favor, é muita esmola
Dizer-lhes bravo! à inspiração divina,
E, quando tremem de miséria e fome,
Dar-lhes um leito no hospital dos loucos...
Quando é gelada a fronte sonhadora,
Por que há de o vivo que despreza rimas
Cansar os braços arrastando um morto,
Ou pagar os salários do coveiro?
A bolsa esvazia por um misérrimo
Quando a emprega melhor em lodo e vício!
Álvares de Azevedo

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Escravidão moderna é uma servidão voluntária


... mimada pelos escravos que se arrastam ao longo da face da terra.
Comprar produtos e cada vez mais se escravizar. Procurando um emprego se afastando cada vez mais da humanidade e assim se revelam suficientemente domesticado.

Escolhem-se os mestres a quem se deve obedecer. Para esta tragédia sem sentido ter lugar, era necessário para tirar o tipo de consciência da sua exploração e alienação. Essa é uma estranha modernidade de nossa época.

Como os escravos da Antiguidade, os servos da Idade Média e os trabalhadores da primeira revolução industrial, hoje temos uma humanidade totalmente escravizada, mas que não sabe ou melhor, não quer saber.

Eles ignoram a rebelião, que deve ser a única resposta legítima dos explorados. Eles aceitam, sem questionar a existência miserável que foi planejada para eles. A demissão e a resignação são a fonte de sua desgraça.

Documentário: la servidumbre moderna

terça-feira, 13 de outubro de 2009

De gota em gota...


Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. A diferença entre o inacabado que não se sabe como tal e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influência das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo. Seria irônico se a consciência de minha presença no mundo não implicasse já o reconhecimento da impossibilidade de minha ausência na construção da própria presença. Não posso me perceber como uma presença no mundo, mas ao mesmo tempo, explica-la como resultado de operações absolutamente alheias a mim. Neste caso o que faço é renunciar à responsabilidade ética, histórica, política e social que a promoção do suporte a mundo nos coloca. Renuncio a participar a cumprir a vocação ontológica de intervir no mundo. O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também há história.
Paulo Freire in Pedagogia da autonomia

...
Munida de longínqua paixão
Tomo o ônibus lotado
para ver o rosto de cada cadáver
Descubro que o rosto nada mais é que a extremidade
De todos os sentidos
Audição, olfato, visão, digestão e reflexão...
Tenho as linhas do meu destino
organizadas nos dígitos dos meus arquivos
eles não sabem que a vida não passa,
da morte, um aviso
Eu, por ter-me morta e encomendada
sou de todos
a mais viva.
Km

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ai de mim, que não pude aguentar tanto amor


Arte: Paolo


Como pode destino tão cruel
A vida se mostra como um dejavú
Escolhida, colhida e assombrada,
Por vontades enterradas
Negadas.

Quanto de culpa tenho nisso?

[Dês]Cortez
A nossa nova onda considerada moderna nestes tempos pós-modernos
É a comilança; que de nada nos uni...

“Obesos!” Vamos caminhando até onde podemos
(dane-se)

Agora o que vejo é a falta de tato para as “coisas humanas”
Essa obesidade ociosa da cultura do “para um bom entendedor meia palavra basta”, me soa cheia de hipocrisia vestindo roupas da enfadada liberdade.

Gostaríamos de criar novos conceitos, mas a modernidade nos sufoca de tal maneira que nos achamos o dono da razão

Tolos!
(ainda desmiusados)
Nossa cultura definitivamente exala covardia?!

.km.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

(show sem astros)



Simbora!

domingo, 13 de setembro de 2009


Um dia escutei que
“O livre arbítrio era um presente de Deus ao homem!”
, segundo determinado pensamento cristão apesar da liberdade que Deus nos permite através do livre-arbítrio. Uma coisa é ter o livre-arbítrio, outra é usar ele para seu bel-prazer e não para o prazer daquele que o concede.
Essa afirmativa pela concepção de uma religião cristã me fez observar a questão de uma forma diferente (minha reação). Pude perceber que esta “dádiva” seria cobrada até o fim de nossas vidas, ou a eterna servidão, ou o inferno, por este temido motivo de não agradar a este “certo Deus de nossas vontades”, já destinadas por ele, nas quais são moldadas, no que é certo e no que é errado na sua definição como se a verdade estivesse declarada.

Não posso querer? Não posso querer questionar isso? Pois se considerarmos esse pensamento como verdadeiro a vontade de outro sempre será minha vontade me anulando como “sujeito” criativo que constrói minha própria historia. E o que seria da liberdade sem o questionamento sem ao menos pensarmos a respeito dos motivos, das causas de tais situações? É tudo simplesmente a vontade de Deus ou a fraqueza do pecador? Essa banalização do ser em servo, do cidadão ao consumo, da educação a pura técnica nos leva a pensar sobre a idéia de livre arbítrio e liberdade.
km

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O que você entende por liberdade?

Arte: Cardines

Ao sairmos daqui, temos varias possibilidades de escolhas, nas quais seguiremos nossa vontade, esta influenciada por motivos diversos, cabe a nos seres pensantes percebermos a liberdade como uma responsabilidade ética...


**
"(tomemos para nós mesmos aquilo que o mundo não sabe) o trato com sua vida, com seres entitulados de heresia, niilismo que de fato coíncide com guerras as partes de um sofrer a todos."
H.fonseca

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O pensamento neoliberal

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sec. XXI


[Turquia] Convite: Aguardamos ver você na fogueira da resistência!

Porta vozes e burocratas de corporações multinacionais capitalistas estarão em Istambul, Turquia, nos dias 6 e 7 de outubro para o Encontro Anual dos “Chefões” de governos, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde eles vão tomar decisões que podem afetar e destruir vidas de bilhões de pessoas.

Sem dúvida, isso será mais uma reunião para defender as regalias e benefícios dos governantes capitalistas, eles discutirão pacotes econômicos, políticas de austeridade e protecionistas, assim como acordos constitucionais onde somente adicionarão mais um elo dentro da cadeia de exploração para o futuro dos pobres e do planeta em que vivemos.

Experimentos de primeira viagem na Argentina, Jamaica, Nigéria, Quênia e qualquer outro lugar provaram há muito tempo que as políticas do Banco Mundial e do FMI não trouxeram nenhum beneficio além da otimização da exploração. O FMI e o Banco Mundial, cabeças da arquitetura capitalista global, são instrumentos primordiais na exclusão dos pobres de suas origens e lares, centralizando toda economia nas grandes metrópoles, comercializando e monopolizando, e até mesmo privatizando os recursos naturais, como água, petróleo e minérios a algumas corporações internacionais. Tais políticas também prejudicam a agricultura local com as políticas de agricultura neoliberal, de monocultura industrial, subdividindo e conseqüentemente desunindo as classes de trabalhadores com a criação de novas leis trabalhistas.

13.000 agentes do governo e possivelmente mais patrulhas policiais estão destacadas para protegê-los, estarão andando entre nós durante os dias do encontro. Esses dias provavelmente serão um inferno. Buscas policiais, controles de identidade, bloqueio nas ruas, cerceamentos e por aí vai.

Vamos mostrar a eles o que realmente é um inferno. Nosso fogo será o terror deles!

Convocamos todos para uma semana de protestos, resistência global e ações contra o FMI e o Banco Mundial entre os dias 1 e 8 de outubro. Em Istambul estamos planejando organizar oficinas, exibição de filmes, palestras e atividades contra o FMI e o Banco Mundial. Teremos acomodações para aqueles que vêm de outras cidades e de outros países. Se você quer participar das preparações e do processo de mobilização, por favor, entre em contato conosco pelo endereço: direnistanbul@gmail.com.

Para receber informações regulares e atualizações sobre as preparações visitem o nosso sítio eletrônico:

http://resistanbul.wordpress.com/ (Inglês)

http://direnistanbul.wordpress.com/ (Turco)

Nos dias de Resistência, nós todos esperamos aumentar a solidariedade internacional, esperamos a cooperação de pessoas de outros países!

Autonomia do povo contra o capitalismo global!

Acrescente sua voz no grito contra o capitalismo nacional e internacional!

Tradução > Marcelo Yokoi




agência de notícias anarquistas-ana


galho partido

depois da tempestade

caminho de formigas

Alexandre Brito

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Wiki


Cherge: Simon

Século XX
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


O século XX representou um gigante salto na história da humanidade

O século XX foi o período de cem anos iniciado em 1 de janeiro de 1901 e terminado em 31 de dezembro de 2000 que se notabilizou pelos inúmeros avanços tecnológicos, conquistas da civilização e reviravoltas em relação ao poder. No entanto, esses anos podem ser descritos como a "época dos grandes massacres", já que nunca se matou tanto como nos conflitos ocorridos no período. Em muitos países da Europa e da Ásia, o século XX também foi largamente apelidado de "Século Sangrento". O historiador Eric Hobsbawn considera, de maneira figurada, o século XX como o período entre a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e o colapso da URSS, em 1991. Hobsbawn chama esse período de Era dos Extremos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Agência de noticias anarquistas - ANA


Enquanto a economia global fica moribunda, uma série de grandes projetos de desenvolvimento capitalista, como a construção de apartamentos de luxo e complexos comerciais, que estavam ameaçando as nossas casas e bairros, são colocados em stand-by.

Mas, ao mesmo tempo, este novo ciclo de "crise" do capitalismo, gera milhares de desempregados, sufocados por dívidas e sob um risco iminente de serem expulsos de suas casas. Em vez de abrigar os pobres, em muitos espaços vazios ou cancelar as suas dívidas, os governos socorrem os bancos para salvar este sistema podre e reprimir aqueles que resistem.

Enquanto resistência ficamos na defensiva por muito tempo, e é a hora de conduzir a luta, atacando o capitalismo onde ele está frágil e quebrando as correntes, para ocupar casas e criar espaços em que podemos rejeitar relações de mercado, partilhando conhecimentos adquiridos através da luta, numa dinâmica ofensiva.

De Dijon a Berlim, em dezenas de locais onde as atividades ocorreram em defesa dos squatters e espaços autônomos, em abril de 2008, novos grupos foram formados, as redes têm se intensificado, mais e mais pessoas estão envolvidas em lutas.

Enquanto movimento, acreditamos que o poder e a dominação devem ser combatidos de várias maneiras - apelamos a ações descentralizadas, coordenadas e de confronto em 18 e 19 de setembro de 2009.

Organizemos a nossa revolta!

Ocupemos, resistamos, criemos!

Apelo lançado após o encontro inter-squatter britânico que teve lugar em Bristol, nos dias 14 e 15 março de 2009.

http://squatmeet09.wordpress.com/

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

UM PEIXE




Um pedaço de trapo que fosse
Atirado numa estrada
Em que todos pisam
Um pouco de brisa
Uma gota de chuva
Uma lágrima
Um pedaço de livro
Uma letra ou um número
Um nada, pelo menos
Desesperadamente nada.


Pagu

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás